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Festival Marés Vivas, dia 1: "Não há fome sem fartura" A reportagem do primeiro dia do festival
 
2011-07-15 08:09 inserido por Sara Novais

Os habitués do festival Marés Vivas, que se realiza anualmente nas enternecedoras margens do Rio Douro, em Vila Nova de Gaia, não podiam ter ficado mais surpreendidos quando ontem, ao chegarem ao recinto que acolhe o evento, se depararam com um espaço lotadíssimo com a presença de mais de 25 mil pessoas – números da organização.

Sim, em fim-de-semana (prolongado) de Super Bock Super Rock – e já agora de Esperanza Spalding nos Coliseus -, a lotação do Marés Vivas – ou MV tmn, como preferirem – atingiu o pico mais alto, fazendo os mais recatados recordar com algum saudosismo os anos anteriores, em que apenas os mais audazes – leia-se malta estudante, sem as típicas obrigações laborais do dia seguinte, e fãs exímios dos nomes presentes no cartaz – se aventuravam nesta coisa de festival urbano em dia de semana.

Poderíamos atribuir a culpa de toda esta azáfama – o trânsito não era, definitivamente, uma realidade exclusiva do exterior - à música pacifista e embala-corações dos Natiruts ou, quem sabe, ao regresso (em jeito de encore) aos palcos de Zé Pedro, dos Xutos & Pontapés, que esteve afastado dos holofotes durante umas semanas, devido a questões de saúde. Mas estaríamos a ser falaciosos. Na verdade, o cabedelo encheu, quase abarrotou, para receber, e de braços bem abertos, Manu Chao e o seu longo e muitíssimo aguardado concerto – único, por estes dias, na Península Ibérica.

Apesar de terem acolhido com nítido entusiasmo os restantes nomes do cartaz, inclusivé os destacados para o palco secundário do certame (Pitt Broken e Anaquim com estes últimos a afirmarem-se como uma aposta ganha, ao vivo, da música nacional), era pelo francês «cidadão do mundo» que todos – com exceção, talvez, dos mais «verdes» da colheita – ansiavam, gritavam e desesperavam, nomeadamente quando o relógio se começou a aproximar perigosamente das 02h00 (o concerto estava inicialmente previsto para a 01h00).
Mal sabiam eles que iriam ver – porém, com agrado - o seu relógio aproximar-se das 03h00, das 04h00 - “já passa mesmo das 04h00?!?!” -, enquanto um Manu Chao hiperativo, com fome de palco e de festa grossa, debitava êxito atrás de êxito, apetrechando-os com roupagens punk/ska nos últimos acordes, num incentivo eficaz à folia, à galhofa, à diversão pura e dura – daquela que, no dia seguinte, nos faz não sentir as pernas, as cordas vocais e tudo o que de nós restou.

Vestido a rigor – num palco dominado pelo preto das vestimentas dos seus compinchas, a sua camisa azul clara e o seu chapéu esverdeado tornavam-no um alvo de atenção óbvio – Manu Chao repescou, em modo best-of, os grandes – e que grandes! – hits da sua carreira, entoados num portunhol exemplar por toda a plateia, sem exceção. Ouviram-se Welcome to Tijuana (praticamente com honras de abertura), Por la Carretera (com direito a explosão rock n’ roll no final), Bongo Bong (em versão softzinha, quase passado despercebida), Clandestino (celebrada com muita cerveja e “marijuana ilegal”), La Vida Tombola (tema integrante do documentário “Maradona”, do sérvio Emir Kusturika), Tà di Bobeira (com direito a bis, a muito moche, e a algumas garrafas de água voadoras), Me Gustas Tu (que fez as delícias de todos os festivaleiros e do pó, que nunca tinha arriscado, no Marés Vivas, voos tão altos), entre muitas outras, disparadas com mestria e garra, quase ininterruptamente, entre parcas palavras e entusiastas saudações em espanhol e português com sotaque brasileiro – viva os poliglotas!

Depois de tão avassaladora exibição, e já com um imparável concerto dos Xutos & Pontapés (onde não faltaram, claro está, os eternos À Minha Maneira, Não Sou o Único, Homem do Leme, Maria, Chuva Dissolvente, Circo de Feras, Contentores e, para fechar em beleza, como sempre, Casinha) e uma, ainda que mais tranquila, performance dos brasileiros Natiruts (que saciaram a impaciência dos mais velhos e coloriram o universo dos mais tenros e enamorados com os êxitos reggae do costume – Presente do Beija Flor, Reggae Power, Liberdade para Dentro da Cabeça e alguns exemplares do seu mais recente trabalho, “Raçaman”) a pesar no lombo, foram poucos os que permaneceram no recinto, para dançar ao ritmo das encruzilhadas jazz, bossa, samba, reggae, ska, funk, drum&bass e afrobeat trazidas a horas tardias por João Dinis e Nuno Carneiros, DJs de serviço. Até porque a festa continua hoje no Cabedelo, ao som de Moby, Skunk Anansie e Expensive Soul, e há que recuperar energias. Assim sendo, até logo.

 

 

 

 

  

Texto: Sara Novais c/ José Aguiar

Fotografias: Cláudia Moura e Ana Oliveira 

 

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