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Delta Tejo, dia 1: Os aromas fortes da música regressaram a Lisboa A reportagem do primeiro dia do festival
 
2011-07-05 10:17 inserido por Sara Novais

Com a ponte sobre o Rio Tejo como pano de fundo, o Festival Delta Tejo abriu as portas para a sua 5ª edição na passada sexta-feira. Ao longo do dia 1, 2 e 3 de Julho o certame proporcionou aos seus visitantes uma viagem enriquecedora pela música, sempre com o objectivo de promover o intercâmbio entre culturas. Entre uma volta na roda gigante ou um salto de bungee becks, o público oscilou constantemente, ao longo dos três dias, entre os dois palcos que compuseram o evento.

A meteorologia pregou algumas partidas durante a tarde de sexta-feira, mas depressa o sol aqueceu todo o recinto, mostrando-se auspicioso para aqueles que aguardavam o início de mais um festival carregado de nomes sonantes, oriundos dos grandes países produtores de café.

À semelhança do ano anterior, o festival teve início no palco Jogos Santa Casa. O português Paulo Praça (Plaza, Turbo Junkie) ficou encarregue de abrir as hostilidades, apresentando ao público as músicas do seu novo álbum, "Dobro dos Sentidos". Com uma presença em palco notável, Paulo Praça acabou por atrair a atenção do público ao cantar a versão do tema Telepatia, um original de Lara Li. Também os êxitos comerciais (Diz) A Verdade e Um Amor Alheio foram igualmente aplaudidos.

De seguida, no mesmo palco, Maya Cool, com os seus ritmos típicos angolanos, fez com que o público dançasse ao ritmo do Kizomba e do Semba. Dos inúmeros espectadores que encheram a tenda por completo, eram poucos aqueles que não sabiam as letras das músicas na ponta da língua.

A artista apresentou, neste espectáculo, o seu quinto álbum de originais,"Certeza", mas também não foram esquecidos outros temas dos seus trabalhos anteriores. Até um medley que continha músicas de Quim Barreiros e músicas infantis fizeram parte da animação, contagiante, que acabou por atrasar o início dos restantes concertos agendados para esse espaço.

A noite ia a meio e ao Palco Jogos Santa Casa continuavam, ininterruptamente, a chegar pessoas. As bandas que se seguiam conquistaram, ao longo dos últimos meses, grande destaque no panorama musical português. Todos aguardavam com expectativa os Zeca Sempre e os Amor Electro.

Os Zeca Sempre, compostos por Tozé (Perfume), Nuno Guerreiro e Olavo Bilac, entre outros, subiram ao palco com algum atraso, mas cheios de vontade de actuar. Na passagem de umas músicas para as outras, ouviam-se depoimentos de época feitos pelo próprio Zeca Afonso, autênticos discursos de abordagem crítica ao sistema político, bastante actuais.

Olavo Bilac fez questão de afirmar que “cantar estas músicas é algo de grande responsabilidade, pois trata-se de um grande nome e de uma referência”. Os eternos êxitos O que faz falta, Grândola Vila Morena e Venham mais cinco foram cantados por todos os presentes, que transformaram o espectáculo num hino à luta por um país melhor.

Outro ponto alto neste palco foi o electrizante concerto dos Amor Electro. Marisa Liz (ex-Donna Maria), Rui Rechena, Ricardo Vasconcelos e Tiago Pais Dias foram os responsáveis por um dos melhores concertos da noite - opinião unânime. Apresentando o recente trabalho, "Cai o Carmo e a Trindade", este grupo encantou todos com a versão da música Barco Negro, mas antes Marisa interpretou o tema, cuja letra teve "um enorme prazer em escrever, A Máquina, cantada em uníssono.

No palco principal do Festival Delta Tejo - o Palco Delta -, às 20h00 em ponto, actuaram os eternos GNR, que levaram consigo a Banda Sinfónica da GNR - um projecto já dura há alguns anos, dando origem a concertos esgotados. Rui Reininho e os restantes elementos da banda brindaram os presentes com os seus temas mais conhecidos, como  Dunas, Asas, Morte ao Sol e Pronúncia do Norte.

Os franceses Nouvelle Vague foram os artistas que se seguiram. E quem pensava que iria ouvir, durante o concerto todo, a bela voz de Mélanie Pain, ficou surpreendido quando, ao fim de esta ter cantado os temas Ever Fall In Love e Master & Servant, anuncia a apresentação, pela primeira vez ao vivo, do projecto composto por versões de temas que marcaram a década de 80 na música portuguesa.

Para esse projecto, os Nouvelle Vague contaram com a presença do extravagante Rui Pregal da Cunha, que cantou e animou a plateia com o Sol da Caparica. Subiram também ao palco três vozes femininas inesperadas: Teresa Lopes Alves, Dalila do Carmo e Inês Castel-Branco, que interpretaram grandes êxitos como Foram Cardos Foram Prosas, de Manuela Moura Guedes, Rua do Carmo, dos UHF, entre outros.

Felizmente para os amantes da banda, Mélanie Pain regressou ao palco e brindou o público com o brilhante Dance With Me e a magnífica versão da música dos Joy Division, Love Will Tear Us Apart.

Uma das surpresas mais bem guardadas do Delta Tejo foi Yuri da Cunha, o conhecido angolano que ganhou enorme destaque na Europa ao fazer a primeira parte dos concertos do italiano Eros Ramazzoti. Yuri da Cunha conseguiu fazer com que o público dançasse até “cair” ao ritmo forte do Funaná e derivados.

Para fechar em grande e dar continuidade ao ambiente caloroso que fazia sentir, o jamaicano Sean Paul, regressado a Portugal - país onde diz sentir-se "em casa", protagonizou a fusão entre os ritmos do reggae e do hip-hop. Acompanharam-no em palco várias bailarinas e ainda uma banda bastante ritmada, que fez todos levantarem o pé do chão.

Os seus grandes sucessos, como We Be Burning e Give It Up To Me, foram interpretados com grande entusiasmo e recebidos pelo público com euforia. No final do concerto, Sean Paul, que envergava uma camisola da selecção nacional, relembrou os portugueses que tem sangue português e que gosta bastante do nosso país, deixando o público em delírio.

Numa espécie de after-hours, o palco dos Jogos Santa Casa transformou-se no Beckstage, onde, a partir da 1h00, Pete Tha Zouk, acompanhado de Pedro Cazanova, transformou a tenda numa enorme pista de dança.

O balanço deste primeiro dia é positivo e, segundo dados da organização, estiveram presentes cerca de 17 mil pessoas. Também é de referir que todos os artistas neste dia mencionaram o nome de Angélico Vieira, o cantor que faleceu na passada semana, em jeito de homenagem pelo seu trabalho enquanto músico.

Texto: Ana Cláudia Silva

Fotografias: Pedro Maia

 

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