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Cristina Branco @ Teatro São Luiz: Quem disse que o Fado não pode ser sexy? A reportagem do concerto
 
2011-04-01 12:35 inserido por Sara Novais

Quando deixa, por momentos, o palco entregue aos músicos, começamos por nos sentar numa esplanada à beira-rio, a ouvir uma guitarra portuguesa acompanhar a calma da corrente para, de repente, darmos por nós no meio de uma turba a dançar um dos alucinados temas de Kusturika e sua banda.

Quando “Canta outra vez para o Douro transbordar”, pensamos que a sua voz convocará de longe ondas gigantes que rebentarão não tarda nada contra as paredes do São Luiz.

“Cansaço” devolve-nos ao território do Fado clássico, ao dos amores impossíveis, das dores e lamentos, das vidas guiadas por corpos que há muito viraram fantasmas.

“Sete Pedaços de Vento” é um momento verdadeiramente pop, como se Devendra Banhart, depois de mais uma visita à Lusitânia, se tivesse finalmente apaixonado pelo fado.

Em “Bomba Relógio”, tema de Sérgio Godinho, Cristina Branco atira-se à Pop métrica e compartimentada, a esse jogo de palavras, rimas e partidas da Língua de Camões.

A terminar o primeiro acto, o clássico “Meu Amor é Marinheiro”, onde não podemos deixar de recordar Amália Rodrigues e de lhe agradecer ter feito do Fado Património Mundial, aqui redescoberto, recriado e cantado de forma tão apaixonada e singular por Cristina Branco.

Antes da despedida final, somos levados a Coimbra e à sua noite negra, de capas esvoaçantes e ruas misteriosas, com o belíssimo “Os Teus Olhos São Dois Círios”.

Para que a viagem terminasse onde tudo começou, e para que a tristeza não se instalasse nos corações pulsantes, Cristina Branco cantou “Maria Lisboa”, poema de David Mourão Ferreira em homenagem à grande cidade alfacinha, essa cidade bonita, encantatória e voluptuosa.

E lá partimos nós, em busca de uma traineira, caravela ou de um simples barco de borracha, prontos a descobrir novos caminhos marítimos que nos devolvam a grandeza e a paz de alma. Bravo, Cristina, bravo.

 
Pedro Miguel Silva

 

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